quinta-feira, 19 de maio de 2011

Fantasia ou realidade?

Bom, vamos lá... o velho e carcomido tema, tão batido que aparece já desbotado, gasto pelo senso comum, roto pela repetição de perguntas sempre sem respostas definitivas, circundado por infinitas especulações.  Afinal, existe mesmo esta linha entre fantasia e realidade? Porque se o que temos da realidade é nossa percepção, e nossa percepção é permeada por sonhos, desejos e aspirações, o que nos choca e limita, de fato, não seria o confronto com a percepção alheia?? Ora, por que culpar a realidade?? Pobre e frágil realidade, sobre a qual se questiona até mesmo a existência, e que acabou, por algum motivo, se tornando a grande vilã da história.
Na suposta contraposição entre fantasia e realidade, esta é vista como implacável, mas sincera e verdadeira, enquanto aquela, faz as vezes de enganadora, limitadora, embora confortante. Não seria a hora de encararmos e contestarmos estes papéis?? Se sonhamos, idealizamos, construímos em nós um mundo que corresponda à nossa expectativa, ao que concebemos como felicidade, ao que almejamos real. Se nossos sonhos não se concretizam, se encontram obstáculos, quem então é responsável?? A realidade? Mas o que de fato seria esta realidade que destrói nosso mundo ideal? Algo que existe absolutamente? Ou seria a realidade nada mais que o eterno conflito entre fantasias diversas, entre expectativas conflitantes?
Nos infinitos conflitos que permeiam nossa existência percebemos e descobrimos o outro: esse ser tão cheio de sonhos e expectativas quanto nós! Mas que embora seja tão repleto de pré-concepções e pós-conceitos quanto nós, tão inundado de vida, excitação e dor quanto nós, é diferente de nós. E se uma fantasia se embate com outra de forma inconciliável – o que quase sempre acontece – ambas se destroem, se despedaçam em caquinhos... e de quem é a culpa?? A malfadada realidade. Eu diria pobre realidade... sempre levando a culpa pelos desencontros alheios.
Sabe do que mais?? No meio de tantas interrogações, não quero saber... decido abandonar essa carapaça que se pretende vinda do mundo real e que, como tal, se intitula realismo, para assumir de vez, com a cara e a coragem, todas as minhas fantasias, partes essenciais da minha realidade. Vivo sim, espero sim, sonho sim, flutuo sim! Vivo sim no mundo da lua, lado a lado com as estrelas, atuando como personagem da minha própria história, seja ela real, em que minhas fantasias convivem com fantasias alheias, ou imaginária, na qual minha fantasia reina soberana. Ali, no meu reino, exerço o direito de sentir o que quiser! E ai de quem tentar me impedir! Só é um pouco chato quando preciso voltar – confesso, o caminho de volta das nuvens não é tão confortável! – mas tenho aprendido a lidar muito bem com as trocas de sintonia! O importante é que posso sempre – ou quase sempre – voltar e começar um novo capítulo, cheio cheio de emoções! No drama, no romance ou na comédia, a vida se faz e se refaz no imaginário! E viva a imaginação!!